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D. Américo Aguiar é atualmente presidente do Conselho de Administração da Rádio Renascença.
Artigo publicado a 2019-03-01 /// 651 visualizações
 
Papa nomeia antigo escuteiro para bispo auxiliar de Lisboa
Novo bispo auxiliar de Lisboa foi escuteiro na sua juventude.
O Papa Francisco nomeou hoje o Pe. Américo Aguiar como bispo auxiliar de Lisboa. O novo prelado foi escuteiro na sua juventude e tem vivido desde essa altura o lema "Sempre Alerta para servir". «O lema "sempre alerta para servir" foi-me comunicado nesse contexto que é único do Corpo Nacional de Escutas e do escutismo mundial, que desta vez encrencou para dar nisto», afirmou.

Ainda em declarações à revista Família Cristã, recorda como o escutismo tornou possível todo o seu percurso de sacerdote e agora bispo. «Tudo o que está a acontecer começou nos escuteiros. Quando era miúdo fui para a catequese, mas a catequista era "chata" e eu saí. Em 1987 anunciam que vão abrir um agrupamento de escuteiros em Leça do Balio, e eu era, e sou até hoje, fã do Pato Donald e dos seus sobrinhos, e sempre fui escuteiro mirim, de uma forma poética. Fui logo inscrever-me mas disseram-me que só podia entrar se andasse na catequese. Fui para casa de rastos, e decidi ir para a catequese só por causa dos escuteiros. Agora vê lá o que é que deu... (risos)», diz a rir.

O novo prelado assume o lema episcopal "In manus tuas", o mesmo de D. António Francisco dos Santos, falecido bispo do Porto, de quem o Pe. Américo foi colaborador próximo. Uma «sentida homenagem» ao prelado, declarou à revista Família Cristã, a cujo pontificado pretende «dar continuidade».

D. Américo Aguiar acolheu a notícia com uma «disponibilidade» centrada no exemplo que viveu na Jornada Mundial da Juventude no Panamá, onde participou. «Isto acontece num contexto particular de eu ter estado na Jornada Mundial da Juventude e de termos ouvido, cantado, celebrado o Eis a Serva do Senhor; faça-se em mim segundo a Tua Palavra. Ao receber a notícia, viajei no tempo e conclui que não há coincidências, e que Deus providencia e tudo está ligado. O que o Papa dizia aos jovens de sermos influencers de Deus foi aí que encaixei tudo isto. Quando no dia da nossa ordenação o bispo nos perguntou "prometes-me obediência e reverência?" vamos lá então, alegres e felizes», declarou.

Para o novo bispo, que será ordenado no Porto a 31 de março, o importante no seu novo ministério é viver olhando para a figura do Bom Pastor. «Não podemos tirar os nossos olhos do Cristo Bom Pastor, de sermos uns para os outros e de estarmos atentos uns aos outros nesta relação de Bom Pastor e de atenção de um modo especial a todos aqueles e aquelas que vivem nas periferias, que não são tanto geográficas, mas existenciais», afirmou, acrescentando que «ao nosso lado, em Lisboa ou no Porto, existem ao nosso lado situações de abandono, de pessoas que se sentem não acompanhadas, com problemas, trevas, falta de Norte, de esperança, e nós somos chamados a ser isso».

A Igreja Católica passa por uma fase «sensível», como reconhece D. Américo Aguiar, mas que também é «particularmente importante». «Significa uma exigência que cada um de nós coloque à sua própria vida e na atenção ao olhar misericordioso em relação aos outros e em relação aos que são os mais frágeis», sustentou.

O novo prelado aponta a necessidade de o «comportamento» dos bispos representarem a «presença e a figura do Bom Pastor». «Se eu sou a figura do Bom Pastor para alguém, o meu comportamento, os meus gestos, têm de fazer sentido nesse contexto e não no contexto do lobo, cujo interesse não é cuidar das ovelhas, mas porventura tratar mal e não querer o melhor para elas», defendeu.

O novo prelado vai manter o seu cargo como presidente do Conselho de Administração da Rádio Renascença e deixa o lugar de diretor do Secretariado Nacional das Comunicações Sociais.

Texto de: Ricardo Perna. Fotografia de: Patriarcado de Lisboa.
 
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