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O Sínodo dos Bispos sobre os jovens está a entrar na sua última semana.
Artigo publicado a 2018-10-24 /// 238 visualizações
 
Uma aliança de gerações que faz a «canoa avançar»
Ontem foi dia de emoções fortes no briefing do Sínodo aos jornalistas.
O primeiro a falar foi Joseph Sapati Moeono-Kolio, da Samoa, um dos convidados da assembleia, representante do fórum juvenil da Cáritas Internacional, representando a Oceânia. Na sua intervenção, o jovem falou dos «desafios» que a humanidade enfrenta, recordando Jesus Cristo como o grande «campeão» dos pobres, da luta contra a injustiça.

Sobre o risco do documento final ser pouco global, o jovem refere que «dissemos várias vezes no nosso grupo pequeno que não podíamos deixar que houvesse visão eurocêntrica». «O processo sinodal permitiu-nos ver as problemáticas globais dos jovens em todo o mundo, mas no processo que levou ao Documento todos tentaram garantir que não seria eurocêntrico», afirmou.

Referindo que já tinha usado esta analogia no Sínodo, o jovem referiu a importância da corresponsabilidade entre os mais velhos e os mais jovens com a imagem de uma canoa que andava pelo oceano, com uma tripulação mais jovem e outra mais idosa. «A sabedoria dos idosos ensinava os jovens, desde o fundo da canoa, a percorrer o Oceano, mas eram os mais novos que a faziam avançar», contou.

Um Sínodo onde os jovens «ensinam os bispos»

O cardeal de Myanmar, Charles Maung Bo, afirmou, de forma bem-disposta, que os trabalhos o têm «inspirado muito», e que o seu trabalho como delegado lhe permite saltar de grupo em grupo para colher as suas reflexões.

Mas o momento mais emocionado estava reservado para o cardeal Luis Antonio Tagle, arcebispo de Manila, nas Filipinas, a fazer uma intervenção sobre o que tem vivido nestes dias de Sínodo. Informando que já vai no seu sétimo encontro deste género, afirmou que cada sínodo é especial e único, e refletiu sobre o que têm sido estes dias. «Este Sínodo dos Jovens tem sido para mim especial porque é como se estivesse na escola, estou a aprender muito», revelou aos jornalistas.

Em seguida, o momento mais emocionado, em que o discurso foi interrompido por uma pausa que escondia a lágrima que mais tarde lhe correu pelo rosto. «Embora seja verdade que nós, bispos, nos estamos a perguntar o que podemos fazer pela juventude, nestas últimas semanas os jovens estiveram a fazer muito por nós, estiveram a ensinar-nos..., não apenas com os seus sonhos e desejos, mas muito especialmente com as suas histórias e os seus testemunhos», sustentou.

O cardeal das Filipinas diz que os bispos têm de ser humildes para conseguirem responder «não sei» num certo momento, e partirem «à procura» da resposta com os jovens. Este «não é um Sínodo que quer dar todas as respostas e soluções, claras, porque a vida não é clara. A vida dos jovens, hoje, não é clara!», afirmou.

Por isso, disse ser preciso preparar «os padres, as religiosas, os acompanhantes, mas também as famílias», «os políticos, os atores e as atrizes que são modelos para os jovens», para que possam ajudar os jovens a chegar ao seu «sucesso».

O Sínodo dos Bispos sobre os jovens está a entrar na sua última semana, e tinha sido previsto para hoje a apresentação aos jornalistas da primeira versão do Documento Final, mas no último momento a conferência de imprensa foi trocada, sem motivo, por um briefing habitual com a presença de alguns participantes na aula sinodal. No entanto, Paolo Ruffini, prefeito do Dicastério para a Comunicação da Santa Sé, precisou que o documento foi entregue aos participantes, que esta quarta-feira podem propor observações e alterações ao texto, em dois encontros, de manhã e à tarde. A carta aos jovens também está a ser redigida.

A reportagem do Sínodo dos Bispos é realizada em parceria para a Flor de Lis, Agência Ecclesia, Família Cristã, Rádio Renascença e Voz da Verdade.

Texto e fotografia de: Ricardo Perna.
 
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