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O dia dos exploradores que se aventuraram a percorrer os quilómetros.
Artigo publicado a 2017-08-03 /// 39 visualizações
 
Fazer o Caminho dos Sentidos para integrar a diferença
Coletes refletores, chapéus na cabeça e vontade de encontrar os sentidos numa caminhada até Idanha-a-Nova.
Assim começou o dia dos exploradores que se aventuraram a percorrer os quilómetros que separam o Campo Nacional de Atividades Escutistas (CNAE) do centro da vila.

O calor foi a principal dificuldade encontrada no percurso, mas ultrapassada com sucesso. Rodrigo Calvário, explorador do Agrupamento 223 – Alcochete afirmou que “ o caminho é simpático e que tem uma boa vista”, referindo igualmente a importância de ajudar os outros.

Uma vez em Idanha, de novo os sentidos dos participantes foram postos à prova em atividades distribuídas por quatro locais diferentes e baseadas nos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU (Organização das Nações Unidas). Cada atividade tinha também um pequeno questionário que as patrulhas deveriam preencher até ao final do dia.

No Centro Cultural Raiano, as patrulhas deviam trabalhar de forma organizada, paciente e autónoma para completar o desafio VISIOKIKO, cujo lema era “Todos diferentes… todos iguais”. O objetivo deste jogo era completar um puzzle de olhos vendados, para que os exploradores percebessem a dificuldade que muitas pessoas com deficiências visuais passam, diariamente, na concretização das suas tarefas.

Nas folhas entregues a estas patrulhas, surge a frase “nem todos temos as mesmas capacidades, mas não é por isso que deixamos de ter as mesmas oportunidades” que tão bem define a mensagem que se pretendia transmitir.

No Jardim em frente à Câmara Municipal, Kiko Fogueira aguardava os exploradores para uma foto em conjunto, ele que, sendo uma das mascotes deste Acanac, é um grande defensor dos Direitos Humanos e sonha com o fim da violência infantil e uma educação de qualidade para todos.

A igreja matriz de Idanha-a-Nova foi igualmente ponto de paragem neste Caminho dos Sentidos, sendo essencial para uma reflexão pessoal e espiritual. Eram os exploradores que escolhiam entrar ou não na igreja, onde, no interior, se refletiu sobre as escolhas, quer estas sejam relativas a problemas comuns do dia-a-dia ou relativas à escolha por Cristo, que deve partir deles próprios. Era-lhes apresentado também um filme sobre um homem que nunca negou a Cristo e os resultados da sua escolha.

A Feira Raiana era o último posto de atividades e assemelhava-se a um oásis no deserto, com a grande quantidade de toldos que proporcionavam a sombra necessária para o descanso dos exploradores. Aqui, Kiko Fogueira volta a alertar os participantes, desta vez, relativamente ao ensino obrigatório e à existência de crianças que, ainda atualmente, não sabem ler nem escrever. Este é, também, um dos 17 objetivos da ONU, o acesso de todas as crianças ao ensino básico e secundário, para que tenham uma melhor preparação para o futuro.

Com o objetivo de se tornarem futuros agentes de transformação do Planeta, os exploradores aceitaram todos os desafios, tendo sempre cuidado com o respeito pela nossa “Casa Comum” e por todos os que nela habitam.

Afinal, para abraçar o futuro desta casa é necessário, não só preservá-la, como entender e aceitar as diferenças dos seus moradores.

Tiago Peixoto, chefe no Agrupamento 566-Creixomil e coordenador do “Caminho dos Sentidos”, explica que estas atividades tinham o intuito de sensibilizar para a diferença, para a integração daqueles que possuem alguma limitação física ou psicológica, para a igualdade de género e as desigualdades ainda tão presentes no Planeta.

“Abraçamos o futuro pois tentamos que os miúdos entendam as dificuldades e limitações que certas etnias, crianças com dificuldades financeiras e limitações físicas e psicológicas possuem, fazendo com que, no futuro, sejam melhores pessoas e passem estes ensinamentos aos seus descendentes. O nosso objetivo é fazer com que os miúdos cresçam e se tornem melhores pessoas a nível escutista e pessoal”, referiu.

Sentir, respeitar e integrar são, assim, as palavras-chave deste caminho, que se revelou um conjunto de atividades e conhecimentos fundamentais para estes jovens, os futuros heróis do Planeta.

Texto de: Bruna Coelho. Fotografia de: Nuno Perestrelo.
 
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