INÍCIO /// OPINIÃO
 
 
 
 
 
10º artigo - O Escuta é puro nos pensamentos, nas palavras e nas ações.
Artigo publicado a 2016-02-12 /// 1437 visualizações
 
A Lei do Escuteiro no pensamento de Baden-Powell: 10º artigo
Carlos Alberto Pereira, antigo Chefe Nacional, debruça-se sobre os artigos que compõem a Lei do Escuteiro.
Após os 1.º,2.º,3.º, 4.º, 5.º,6.º ,7.º ,8.º e 9.º artigos de reflexão sobre a Lei do Escuta, apresentamos o décimo e último artigo da Lei, a partir da explicação que o próprio Baden-Powell apresentou aos caminheiros, no livro que lhes dedicou: A Caminho do Triunfo, editado pela primeira vez em 1922.

10º artigo - O Escuta é puro nos pensamentos, nas palavras e nas ações

«Espera-se que, na qualidade de Caminheiro, não só tenhas ideias puras, mas também desejos puros e saibas dominar as tendências e abusos sexuais; que dês aos outros exemplos de pureza e sinceridade em tudo quanto pensas, dizes e fazes»

Roland E. Philipps, colaborador de Baden-Powell, no seu livro, Cartas a um Guia de Patrulha, publicado em 1916, nove anos depois da criação do escutismo, escreve: «Se, pois, lutares por cumprir o décimo Artigo da Lei, e reconheceres que a tua força é demasiado pequena, não te envergonharás de invocar a Grande Força para estar contigo, e então como David, estarás certo de vencer, porque Deus está a teu lado.» e ainda «O décimo artigo é o maior de toda a Lei. É o maior porque é o mais difícil de cumprir».

A questão que se coloca é se este conceito de pureza e de vivência da sexualidade se mantém atual em pleno século XXI. Claro que Mateus, no Sermão da Montanha, escreve: «bem-aventurados os puros de coração porque verão a Deus» (5,8). Claro que esta vivência está envolta pelo “amor”, dom que se dá e que se recebe, dom que cria laços e que une.

Mas quando pensamos nas notícias de abusos, exploração e violência sexual que todos os dias nos chocam, cada vez com mais intensidade, sentimos que este décimo artigo da Lei do Escuta devia ser uma preocupação de todo o cidadão e de toda a educação com valores.

Por isso, somos assaltados por estes quatro versos da Cantata de Paz, de Sophia de Mello Breyner: «Vemos, ouvimos e lemos / Não podemos ignorar / (...) / O nosso tempo é / Pecado organizado.” E peço que, cada um de nós, assuma o desafio que Francisco nos fez para o dia um de janeiro de 2016 - o XLIX Dia Mundial da Paz: «Vence a indiferença e conquista a paz».

Texto de: Carlos Alberto Pereira. Fotografia de: Direitos Reservados.
 
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